Kusum Modak

Texto e foto do livro “Yoga Massagem Ayurvédica – A Transformação pelo Toque” de Alda Martinelli

Kusum Modak

Corria o ano de 1938, mais precisamente dia 28 de abril. O universo estava em polvorosa. Felizes, Danvanthari, Pantajali, e outros sábios e deuses indianos confabulavam sobre o destino daquela criança que estava chegando ao mundo. “Ela terá uma missão muito linda e importante a cumprir”, disse um deles. “Veja as mãozinhas”, disse outro, “dedos longos e fortes. Personalidade marcante e bondade infinita no coração”. “É”, falou finalmente Danvanthari, o pai da Ayurveda, “ela levará à humanidade uma importante e criativa vertente dessa ciência. E o limite não será a sua cidade natal, Pune, mas sim o mundo. Não será fácil a sua trajetória. Mas ela conseguirá, com muita garra, superar barreiras, físicas e culturais”. “E o nome?”, perguntou outra divindade. “Ah, o nome! Ela se chamará Kusum. Kusum Modak”. “Kusum significa Flor e, como tal, disseminará seu pólen, proliferando seu conhecimento”.

Caçula de três filhos, durante toda a sua infância e juventude Kusum sofreu com problemas de saúde, particularmente na coluna. Durante mais de 20 anos, percorreu uma longa, diária e disciplinada jornada na Yoga, sempre sob a orientação do exigente Shri B.K.S. Iyengar em seu instituto, em Pune. Os resultados no seu corpo foram tão surpreendentes que ela, anos depois, passou a adotar os alongamentos e as torções da Yoga em seu trabalho de massagem.

De família brâmane, ela tomou ainda jovem duas decisões corajosas sob o ponto de vista da cultura indiana: de não se casar e, depois, de dedicar-se totalmente à Yoga Massagem Ayurvédica, técnica que criou há mais de três décadas.

Aos 40 anos de idade, Kusum teve dois encontros que iriam transformar completamente sua vida. O primeiro foi com o yogi Iyengar e o segundo, com o mestre Limaye, homem simples, mas profundo conhecedor da arte da massagem tradicional indiana. A sensibilidade e a sabedoria desse último mestre despertaram em Kusum a força da cura, introduzindo-a nos caminhos da massagem.

Kusum herdou desses dois mestres uma forma simples e objetiva de se expressar, compartilhando seu trabalho com um misto de simplicidade e sofisticação. Regularmente, ela ministra sessões individuais em Pune, assim como treinamentos para profissionais da área da saúde do mundo todo, como médicos, terapeutas corporais, fisioterapeutas, instrutores de yoga e psicólogos, além de interessados de outros setores.

De pequena estatura, olhos ágeis e sempre atentos, a mestra – com seus 73 anos – se agiganta ao mostrar os intensos e delicados movimentos da massagem por ela idealizada. Suas mãos fortes e precisas vão esculpindo, lentamente, o corpo do paciente. “O corpo é um templo divino”, pontua a todo instante. “E, como tal, deve ser tratado com atenção e devoção”.

De uma maneira muito clara, simples e objetiva, Kusum consegue transmitir esse trabalho sério e complexo, cujo principal objetivo é sanar, na raiz, os diferentes problemas posturais e suas consequências. A mestra vai alongando, desfazendo nós de tensão e, como ela mesma enfatiza, “pouco a pouco, o corpo vai se abrindo como uma flor: pétala por pétala”. E, dessa forma, livres das tensões internas e externas, por meio de uma completa integração corpo-mente, vão ocorrendo as mudanças físicas e psicológicas.

Seus ensinamentos extrapolam o aspecto técnico da massagem. É uma lição muito mais ampla. Durante seus cursos, por meio de suas ações, ela mostra como ser firme e amoroso ao mesmo tempo, como ser compassivo, disciplinado e centrado. Ensina, ainda, como superar os limites físicos e mentais, a soltar as amarras, a meditar, a respeitar o próprio corpo do terapeuta e, consequentemente, o do paciente. Instrui o indivíduo a ser pleno e meditativo.

Anualmente, a partir do mês de outubro, pessoas de todo mundo se dirigem  a Pune em busca dos ensinamentos da mestra. São lições que extrapolam o bem-estar físico e mental de quem recebe a massagem, beneficiando também o próprio terapeuta.